O lucro que vem do crime

Um museu nos Estados Unidos faz sucesso ao exibir ao público a história dos delitos e dos bandidos mais célebres do país


Nada de pinturas ou esculturas. As galerias à meia-luz expõem retratos de vítimas e bandidos famosos, casos insolúveis, a lista dos 10 fugitivos mais procurados pelo FBI (a polícia federal americana), guilhotina, cadeira elétrica, laboratório forense nos moldes da série CSI (Crime Scene Investigation), a polícia científica americana. Mórbido? Talvez. Cruel? Também não. Os frequentadores do National Museum of Crime & Punishment (Museu Nacional de Crime & Castigo), em Washington DC, pagam US$ 19 (cerca de R$ 45) pela entrada e ainda se divertem. Inaugurado em abril do ano passado, o museu tem atraído cidadãos americanos e de várias partes do mundo interessados em conhecer o submundo e as técnicas de investigação criminal dos Estados Unidos. Apesar de bizarro, é um programa interessante. E, por que não, familiar?

Crianças e adolescentes assistem a palestras sobre a evolução da criminalidade e do sistema de justiça desde a colonização dos Estados Unidos. Aprendem que, no passado, piratas costumavam saquear embarcações e que, atualmente, os crimes virtuais crescem vertiginosamente. Assim como as crianças e os adolescentes, os adultos também brincam enquanto aprendem. A principal arma do Crime & Punishment é a interatividade. Todos podem testar suas habilidades de tiro e tentar arrombar um cofre ou invadir um computador. Podem, por exemplo, tirar suas próprias impressões digitais, fazer testes no detector de mentiras e participar de um tiroteio ou de uma perseguição policial em simuladores. Perguntas provocativas (algumas esdrúxulas) são espalhadas pelo museu. Uma das questões feitas recentemente aos visitantes foi algo como: "Se você fosse condenado à morte, o que escolheria na sua última refeição?". O iraquiano Saddam Hussein pediu "frango cozido", segundo o museu.

O Crime & Punishment explora a história da criminalidade nos Estados Unidos em todas as suas nuances. Se por um lado exalta a eficiência das forças policiais americanas, por outro glamouriza certos criminosos e aponta assassinatos que continuam cercados de dúvidas até os dias de hoje, como o do ex-presidente John Kennedy. Uma réplica da cela que o gângster Al Capone ocupou na Eastern State Penitentiary (transformada em museu), na Filadélfia, é um dos pontos que mais atraem a curiosidade dos visitantes. Um automóvel que pertenceu ao ladrão de bancos John Dillinger, colocado estrategicamente na entrada do museu, está isolado por uma corrente. Não uma corrente comum. Mas uma construída com algemas atadas umas às outras. Hollywood também não ficou de fora. Crimes que fizeram sucesso nas telas de cinema ganharam lugar de destaque. A história de Bonnie e Clyde, o casal criminoso mais famoso da história dos Estados Unidos, está lá. Uma réplica do Ford Sedã 1934 crivado por 167 balas usado no filme que contou a vida e a morte dos dois também está.

O empresário americano John Morgan percebeu que o crime poderia ser um bom negócio depois de visitar Alcatraz. A célebre prisão desativada na década de 60, considerada durante anos a mais segura do planeta, que abrigou criminosos como o mafioso Al Capone e Robert Stroud (assassino que criava pássaros na cela e inspirou livros e um filme estrelado por Burt Lancaster). John Walsh, apresentador do programa de TV America's Most Wanted (algo como Os Mais Procurados dos Estados Unidos), que teve o filho de 6 anos sequestrado e assassinado na década de 80, se tornou sócio de Morgan. O programa policial de Walsh, transmitido pelo canal Fox semanalmente, é filmado num estúdio permanente dentro do museu Crime & Punishment. Os visitantes são convidados a assistir a gravação. Pelo menos para Morgan e Walsh, o crime compensa.

A última refeição

Gula! O último pecado de alguns presos famosos .

Saddam Hussein


Ex-presidente e ex-primeiro ministro do Iraque, pediu frango cozido, arroz e água adoçada com mel. Condenado por crimes contra a humanidade, ele foi enforcado no dia 30 de dezembro de 2006, em Bagdá.


Ted Bundy


Um dos mais temios assassinos em série da história dos EUA, recusou uma refeição especial e recebeu um café da manhã tradicional. Morreu em 1989, na cadeira elétrica, acusado de ter estuprado e matado mais de 30 mulheres.


Timothy McVeigh


Autor do atentado à cidade de Oklahoma em que um caminhão-bomba explodiu em 1995 e matou 168 pessoas, quis tomar sorvete de menta com pedacinhos de chocolate. Em julho de 2001, McVeigh foi executado com uma injeção letal.


John Wayne Gacy Jr.


Começou a matar em 1972. Atraia homens até a sua casa com oferta de empreo e os violentava sexualmente. Palhaço amador, Gacy ficou conhecido nos EUA como o "palhaço assassino". Foi condenado a 21 prisões perpétuas e a 12 penas de morte (????). Antes de ser executado, em 1994, comeu frango da rede americana KFC, batata frita, camarão e morangos.

Fonte: Época




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About Daniel de Araujo

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1 Comentários:

  1. Até os piscopatas tem direito a regalias antes de irem pra vala.

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