Sozinha


Sentada defronte ao computador, Evelyn não sentia o tempo passar. Como acontecia todos os dias, entrava nas salas de bate-papo e quando encontrava um gatinho interessante com quem teclar, perdia-se no tempo, embalada pelo “tec-tec-tec” nas teclas. Porém, naquela noite existia algo de diferente no ar.
Ao entrar, encontrara Fábio, internauta assíduo, com quem já teclara várias outras vezes, mas por quem perdera o interesse após receber uma foto. Ele não era seu tipo, mas, na falta de alguém interessante, ia passando o tempo a trocar mensagens com ele mesmo: “Melhor que ficar só”, pensou.
Algumas horas depois, já entediada com a conversa de Fábio, um nick que entra na sala chama sua atenção: Alone. Quando ainda pensava em enviar uma mensagem, ele foi mais rápido:
- Alone fala para Evelyn: Oi. Estava à sua procura.
O coração de Evelyn disparou... Um única frase daquele estranho conseguiu perturbá-la a ponto de não saber o que responder. Com medo que ele saísse da sala por não receber resposta, enviou uma mensagem rápida:
- Evelyn fala para Alone: A gente se conhece? De onde?
- Alone responde para Evelyn: Do universo. Estive à sua procura por toda a eternidade...
Mas que imediatamente, Evelyn dispensou Fábio e entrou no reservado com o desconhecido. Ele fazia seu coração disparar a cada mensagem enviada. Falava de coisas que ela sempre desejara ouvir, adivinhava seus gostos, escrevia trechos de poesia que ela adorava. E as horas iam passando como nuvens, cada vez mais Evelyn se prendia aquele nick, aquelas palavras maravilhosas que surgiam na tela.
“Não posso perdê-lo de vista. Preciso pegar o número do telefone ou o e-mail dele. E se cair a conexão agora? Talvez eu nunca mais consiga encontrá-lo outra vez, não posso perdê-lo” – pensava angustiada, enquanto lia as maravilhas escritas por ele que surgiam na tela.
Evelyn já havia perdido a conta do número de vezes em que fantasiara encontrar alguém assim na net. Em sua mente adolescente, sentia-se a única menina na face da terra que ainda não havia encontrado sua cara metade. E agora, lá estava ele. Não o deixaria fugir. Em seus devaneios, era tudo tão simples. Eles trocariam e-mails, se falariam por telefone e marcariam o encontro que os uniriam para sempre.
Não poderia perder mais tempo:
- Evelyn fala reservadamente com Alone: Me diga seu e-mail e seu telefone. Tenho medo que a conexão caia e eu o perca. Não suporto a idéia de não encontrá-lo nunca mais, quero lhe conhecer, lhe encontrar. Você me conquistou... e ainda nem sei o seu nome.
A resposta foi imediata:
- Alone fala reservadamente com Evelyn: Não me perderá nunca... lhe busquei por muito tempo e não a deixarei mais ir. Você é e sempre foi minha.
Um arrepio percorreu o corpo da garota, as palavras penetraram profundamente em seu ser, fazendo-a sentir até mesmo um pouco de medo, sentimento este que confundiu com paixão.
- Evelyn fala reservadamente com Alone: então, quando vamos nos conhecer? Não quero esperar muito.
- Alone fala reservadamente com Evelyn: Para nos conhecermos basta que você me abra a sua alma e as portas de sua casa... No momento em que você fizer isso, estarei com você para sempre.
Sorrindo e achando aquilo tudo muito romântico, Evelyn respondeu sem demora:
- Evelyn fala reservadamente com Alone: Pois então, vem. Estou te esperando... meu coração e minha alma já te pertencem. As chaves da porta de minha casa e de minha alma estão em tuas mãos agora... vem, meu príncipe.
Quase no mesmo instante em que enviou a mensagem, Evelyn sentiu algo estranho, como se estivesse ficando dormente. Um calor acompanhado de um suor frio percorreu seu corpo e ele assumiu um peso descomunal, impedindo-a de se mover. Enquanto tentava sair daquele estranho torpor, viu um vulto negro saindo da tela do computador. Um vulto coberto com vestes negras que aumentava de tamanho e aproximava-se de seu rosto. Apavorada, Evelyn podia sentir o bafo pútrido da criatura que não emitia qualquer som, mas estava ali à sua frente, sem se mover, apenas expressava um olhar penetrante e feroz, como se a criatura desejasse consumir por completo sua alma.
Apesar de temer por sua vida, Evelyn não conseguia liberta-se do torpor, da dormência que tomava seu corpo. Em sua mente, gritava e esperneava de pavor, mas na realidade continuava estática, nem mesmo fechar os olhos e parar de olhar para aquela coisa horrenda ela conseguia. A criatura não tinha fisionomia definida, era como um buraco negro, totalmente desprovido de luz e com aqueles olhos vermelhos e injetados de ódio... Ao sentir um toque, como se uma mão, que não existia no espectro, lhe tocasse os braços, Evelyn reuniu forças que até então desconhecia ter e saltou para frente, sentindo como se estivesse atravessado aquela coisa, como se ao fazer isso o espectro passasse por dentro dela, tocando seus órgãos internos, absorvendo sua alma. O choque trouxe-a de volta à realidade, fazendo-a correr em direção a porta do quarto. Girou a maçaneta e viu que estava trancada e apesar de girar a chave, nada acontecia. Num desespero total, começou a gritar, olhando para a criatura e imaginando que a qualquer momento ela iria aproximar-se outra vez. Gritou com toda sua força, sabendo que os pais e o irmão estavam no quarto ao lado e iriam socorrê-la. Mas, nada acontecia, ninguém aparecia para ajudá-la.
Evelyn percebeu, então, que seus gritos jamais seriam ouvidos, pois era como se seus gritos estivessem indo para outra dimensão, uma sintonia diferente. Em desespero, viu o espectro aproximar-se cada vez mais... pode ver um rasgo naquela espécie de fumaça negra que assemelhava-se a um sorriso cruel, de onde saía um fedor putrefato que chegava às suas narinas. Num último gesto de desespero, correu para a janela que se encontrava aberta, e pensando apenas em livrar-se daquele horror, jogou o corpo no ar, sem nem lembrar-se que estava no 13º andar...
FIM
Conto retirado do site Contos de terror
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About Victor Ramide

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9 Comentários:

  1. --' --' --' --' --' --' --' --' --' --' --'

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  2. aaai, que horror, eu tenho medo dessas coisas !
    e4, tenho problema do coração AHEUAEH'
    Tenho que parar de ler essas coisas

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  3. era soh ter apertado alt+f4, q mancada ein Evelyn --'

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  4. aquela desconhecida O:3 de agosto de 2011 19:45

    HSUASHAUSHAUH que cooisa , U.U issu e posivel , ¬¬' ? Uii , So de ler issu fiqueei arrepiada ate agr , :b SHAUSHUAHS , que doidera :} fantasmas entraam no chat Uhuu LOL que doidera x.x '

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  5. aquela desconhecida O:3 de agosto de 2011 19:46

    quero dizr fantasma nao { esse treko preto u.u neim sei o nome da coisa } '

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  6. http://comic.naver.com/webtoon/detail.nhn?titleId=350217&no=20&weekday=tue LOOOOOOOOOOOL e mto massa issu :3 eu ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei ' :# ve so nao er virus :)

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