6 músicas clássicas que significam o oposto do que você pensa

Olá galera sinistra, estamos aqui mais uma vez para mais uma postagem interessante e... (por** tenho que inventar um slogan interessante para por aqui) enfim, estou pensando em um novo projeto para o sinistro ao extremo, uma nova roupagem quem sabe e gostaria da ajuda de vocês! 

Escrevam nos comentários ou por email (victorramide@gmail.com) idéias diversas sobre o que você quer ver no sinistro, pode ser por exemplo, podcast, videos de fantasmas, fotos e videos de mortes, matérias curiosas, matérias polemicas etc.

Todos os créditos dessa postagem pertence ao site "hypescience", que aliás é um site muito bom!

Voltando à postagemSe você adora e é um bom ouvinte de música clássica, provavelmente sabe um pouco de sua história, e este artigo não foi feito para você. Para o resto da população, não familiarizada com a arte, ler a lista se faz necessário. Atualmente, as músicas clássicas aparecem em muitos filmes, propagandas, sendo muitas vezes “popularizadas” pela cultura de massa. Você as escuta, elas grudam na sua cabeça, mas certamente você tem ideias totalmente equivocadas a respeito de seus significados. Confira:


1) “LÁ VEM A NOIVA” (OU “BRIDAL CHORUS”, EM PORTUGUÊS, “MARCHA NUPCIAL”) – RICHARD WAGNER


Porque você conhece: Quem dera um casamento no qual não tocasse essa música. Já foi tocada de todas as maneiras, desde órgãos a orquestras completas conforme a noiva caminha até o altar. Quando você ouve tal melodia, já sabe que a noiva está para aparecer, provavelmente toda vestida de branco.
O contexto original: Assassinato em massa. A música vem da ópera “Lohengrin”, na qual o “Bridal Chorus” é na verdade cantado para a heroína Elsa e seu novo marido, Lohengrin, por suas damas de honra após o casamento, não antes! As pessoas trocam as coisas, fazer o quê. Ah, e depois dessa canção, Lohengrin assassina cinco convidados do casamento, e larga Elsa.
Peraí: Lohengrin não é uma ópera alegre, como você provavelmente adivinhou. O casamento dura duas canções. Depois que o machão assassino abandona Elsa (e por ser uma ópera), ela morre de tristeza. Assim, a música de órgão que se ouve em todos os casamentos hoje em dia é menos festiva e mais sinistra.


2) “HALLELUJAH CHORUS” (DA OBRA MESSIAS) – HANDEL




Porque você conhece: assim como a “Marcha Nupcial”, as associações com “Hallelujah Chorus” são uma espécie de lenda da cultura pop. Essa música épica e alegre, que soa como um grito de pessoas felizes cantando “Aleluia”, é muito usada em filmes religiosos, ou tocada em qualquer filme quando algo bom acontece. Você mesmo já deve ter cantarolado essa canção para si depois de alguma pequena vitória.
O contexto original: O “Hallelujah Chorus” é, como você deve ter imaginado, sobre Jesus; vem de Messias, uma obra de coral inteiramente sobre Jesus Cristo. Porém, o “Hallelujah Chorus “, especificamente, é praticamente a trilha sonora para sua suposta segunda visita à Terra. É o fim do mundo como Jesus o conhece: Ele comanda o total extermínio em cima de uma nuvem negra monstruosa enquanto tudo abaixo se colapsa.
Peraí: Existe um cronograma muito explícito em Messias. Cada peça de música é uma parte da vida de Cristo, do início ao fim até depois do fim. O “Hallelujah Chorus” obteve sua letra a partir do Livro das Revelações, amplamente conhecido como a parte “insana” da Bíblia. Estamos todos gritando, enquanto Jesus termina o mundo que nos rodeia. Dizem que quando Handel terminou “Hallelujah Chorus”, foi encontrado chorando. Seu assistente perguntou o que havia acontecido, e Handel respondeu: “Eu pensei ter visto o rosto de Deus”. Assustador.


3) “O FORTUNA” (DA OBRA CARMINA BURANA) – CARL ORFF


Porque você conhece: Procurando uma música terrivelmente dramática para usar no seu filme sobre vampiros? Desesperado para encontrar uma música que ilustrará super bem seu programa de TV sobre o fim do mundo? Encontrou imagens de um gatinho bonito e quer fazer um vídeo engraçado justapondo-as em trombetas com uma letra em latim sem sentido? “O Fortuna” é o que você está procurando. Incontáveis filmes, comerciais e qualquer coisa com drama já usaram essa clássica canção.
O contexto original: Enquanto a música foi escrita no século 20, todas as letras de Carmina Burana são retiradas de mais de 200 poemas medievais que são sobre: amor não correspondido; que estranha é a igreja, assim como o governo e o homem; beber. Soa como poesia de ensino médio? É porque é.
Peraí: O super dramático “O Fortuna” é apenas uma canção totalmente revoltada que veio de um poema meio bobo escrito por algum estudante medieval. As letras são sobre apostas, jogos de azar, ter má sorte (e perder sua camisa nas apostas). O arranjo é de um compositor alemão muito estranho, que queria celebrar “o triunfo do espírito humano através do equilíbrio sexual e holístico”.


4) “THE YEAR 1812” – PYOTR ILYICH TCHAIKOVSKY




Porque você conhece: Você já ouviu essa, sem dúvida nenhuma. É uma música gloriosa que toca o tempo todo nos EUA (toca todo 4 de julho, feriado da independência), e aparece em filmes sempre que algo importante, ou excitante, ou explosivo, está acontecendo. Foi escrita por um cara russo, mas parece ser sobre a América. Talvez seja sobre a guerra de 1812 contra os ingleses, ou alguma outra batalha americana. É arrogante, triunfante, agressiva, e todo norte-americano pensa que ela diz “nós somos bons”.
O contexto original: Os americanos estão pagando de bobos. A música que toca todo 4 de julho é na verdade sobre uma batalha entre a Rússia e a França.
Peraí: Havia mais de uma guerra acontecendo em 1812, e a batalha dos EUA com a Grã-Bretanha não era a mais importante. O “grand finale” da música (a parte mais conhecida) contrapõe tiros de canhão explosivos com o som de “La Marseillaise”, o hino nacional francês, para representar os defensores russos esmagando o exército de Napoleão na batalha de Borodino. E porque cargas d’água os EUA tocam essa parada enquanto estouram seus fogos de artifício?

5) “POMPA E CIRCUNSTÂNCIA” (“MILITARY MARCHES”, EM PORTUGUÊS, “MARCHAS MILITARES”) – SIR EDWARD ELGAR




Porque você conhece: Qualquer um que já tenha se graduado em algo, ou comparecido a qualquer formatura, deve ter ouvido essa música. Também é comum em filmes, em momentos vitoriosos.
O contexto original: a música que nos lembra conquista é a primeira de uma série de uma espécie de “álbum conceitual” da virada do século 20. Conceito de quê? Sangue, guerra e morte de jovens.
Peraí: A música não tem letra, mas em um esforço para definir do que ela se trata, o compositor Elgar prestativamente prefaciou seu significado com uma citação do poema “The March of Glory” (A Marcha da Glória), de Lord Tabley, que fala sobre marchar ao som de uma música que atrai os homens à morte, além de orgulho, nação, e outros temas (ou baboseiras militares, depende de sua posição quanto ao assunto). Ou seja, é sobre ansiosamente morrer em batalha. Mas não com significado positivo, do tipo “morrer em batalha é glorioso”. A música é uma forma de Elgar dizer: “Eu não acho que devemos marchar todos os nossos jovens para morrer na batalha”, o que os britânicos confundiram completamente, tocando-a para animar seus exércitos por anos. Pelo menos eles entenderam a parte da batalha corretamente, já que os americanos tocam a música em formaturas.

6) “RIDE OF THE VALKYRIES” (DA OBRA “DIE WALKURE”, EM PORTUGUÊS, “A CAVALGADA DAS VALQUÍRIAS”) – RICHARD WAGNER


Porque você conhece: Esta é provavelmente a música dramática mais famosa do mundo. Foi utilizada no filme “Apocalypse Now” como música de fundo para um ataque de helicóptero. Já tocou em inúmeros outros lugares, até desenhos animados (talvez principalmente em desenhos animados), e geralmente retrata pessoas indo para uma batalha.
O contexto original: Tocada em uma ópera sobre mulheres com lanças (exato!), você deve imaginar que “A cavalgada das Valquírias” (como a passagem musical é conhecida em português) é ouvida enquanto as bravas jovens batalham. Não. Está mais para tocada quando as luzes estão apagadas, a cortina está fechada e nada está acontecendo. Sim, a canção é tocada como abertura da obra.
Peraí: Uma das músicas mais legais tocadas em brigas e batalhas foi na verdade feita para ser ouvida enquanto o público está sentado educadamente olhando para uma cortina. Foi uma tentativa do compositor de empolgar a audiência, mas não para uma batalha, para um show. Quando a cortina sobe e as mulheres finalmente aparecem, o resto da música é usado como som de fundo enquanto as Valquírias se cumprimentam antes de um dia de trabalho. Sem brigas, sem fúria. Quase entediante.

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About Neto Sanches

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2 Comentários:

  1. Na DIE WALKURE ele tá completamente enganado
    "Uma das músicas mais legais tocadas em brigas e batalhas foi na verdade feita para ser ouvida enquanto o público está sentado educadamente olhando para uma cortina. "

    Essa música (na verdade, esse TEMA) aparece diversas vezes durante a ópera - e mesmo nas outras óperas que fazem parte do ciclo do anel - portanto, não pode ser reduzida à abertura do terceiro ato da valquíria. Aliás, mesmo nessa parte mais conhecida, enquanto a música popularizada é apenas a parte instrumental, na ópera temos as valquírias cantando - o que obviamente acontece em cena, e não com as cortinas abaixadas. Não é, portanto, um trecho isolado, mas sim, como Wagner concebeu, um Leitmotif, isto é, uma melodia que representa um personagem, um objeto, um sentimento, etc. ao decorrer da obra - recurso que hoje é vastamente usado no cinema, por exemplo.

    Na verdade, durante a abertura as cortinas se abrem logo no primeiro minuto e dá pra ver toda a ação delas no palco. Isso depende muito da montagem que fazem da ópera, que pode ser fiel às intenções do libretto original em maior ou menor escala.

    É verdade que não está acontecendo diretamente na cena uma guerra ou uma batalha, porém, no contexto mais amplo da obra, em que as valquírias matam os heróis para recolher suas almas, que servirão aos deuses e defenderão o Valhala - o castelo deles, e que estão executando, como não poderia deixar de ser, violentos cantos de GUERRA (Hoyotoho, Hoyotoho-o!), fica evidente o caráter bélico que esse trecho apresenta - aliás, dissociar música e ação é algo que nunca acontece em Wagner.

    Além disso, as cenas seguintes têm um grau de tensão altíssimo - Brünnhilde, a principal valquíria, desobedeceu seu pai, o deus Wotan, e em vez de trazer consigo um herói morto, traz uma mulher. Brünnhilde teme seu castigo e a música é das mais desesperadas de todo o ciclo do Anel - talvez de toda a história da ópera.

    Ou seja, recortar um trecho de alguns poucos segundos para dizer que a obra não carrega nenhuma tensão é uma simplificação muito longe verdade.

    Abaixo o trecho em que a cena acontece:
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=SFtT3kCAmHI#t=5968s

    Caso volte para o 0:00, pode-se ver o início do segundo ano, em que também é possível ouvir o tema da valquíria.

    Aliás, recomendo esse link, pois a última análise é exatamente sobre essa cena da valquíria - olhem o nome da série!
    http://euterpe.blog.br/historia-da-musica/musica-classica-e-porrada-parte-iii

    Abraços.

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  2. E eu que pensava que eu era a única pessoa do mundo que achava "O Fortuna" uma música pra lá de horripilante.

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