O mutilador





A história que vou narrar é de uma vingança, uma questão de honra, a honra dos meus amigos Ruth e Erick, e a minha honra, a nossa honra, que precisaram e foram lavadas com sangue, muito sangue e muita perversidade, maldade e ódio! Porém, não deixa de ser de fato uma história de terror e morte. Nos últimos tempos eu fui um verdadeiro monstro, mais terrível, perverso e sanguinário do que se possa imaginar; por isso, se você não tiver nervos de aço, estômago e sangue frio para continuar lendo esta história, - pode parar aqui mesmo.


A noite estava bem agradável, não fazia muito calor e nem muito frio. Era um dia perfeito e eu estava muito ansioso por aquele momento.


Foram meses de investigações, negociações e planejamentos, e finalmente, a presa mordera a isca, tudo estava sob meu controle e não poderia haver falhas.


Ah! Walace Lactor já estava morto e nem sabia, disso eu tinha certeza, porque uma pessoa ambiciosa e obcecada pelo dinheiro se torna uma presa fácil, mesmo em se tratando de um homicida experiente como era Walace Lactor - ele não sabia que estava negociando com a morte!


Diferente dele - que arrancava os órgãos das pessoas e as matava para abastecer o tráfico de órgãos humanos e se enriquecer com ele,-, o meu propósito era dar a ele uma mostra de seu próprio veneno. Fazê-lo sentir não só na própria carne, como também na alma, a mesma dor e o medo que meus amigos e eu, e tantas pessoas sentiram quando foram vítimas de sua perversidade.


Ele agia praticamente sozinho na cidade, porém de maneira astuta e cautelosa. Nunca deixava rastros de seus crimes. As vítimas eram aliciadas numa casa de shows, que funcionava, clandestinamente, num local recôndito na cidade de São Paulo.


Os jovens iam ao local a fim de se divertirem, conhecer pessoas novas, curtir uma música eletrônica, beijar muito, tomar todas, fazer sexo com belas garotas, enfim, todo tipo de farra que uma casa noturna da cidade grande oferece.


Porém, o local funcionava como fachada para esconder o tráfico de órgãos humanos. No meio da madrugada, quando os jovens já estavam embriagados e extasiados, eram conduzidos até o reservado. Lá, antes da transa, as prostitutas os dopavam e depois eles eram conduzidos para os confins da cidade onde funcionava a clínica clandestina de Walace Lactor.


A clínica de Walace Lactor era um verdadeiro holocausto; lá, não só se traficava órgãos humanos, como realizavam-se abortos clandestinos. O cativeiro era bem organizado, apesar de pequeno. Possuía uma cela onde as vítimas ficavam presas, um quarto gelado onde os órgãos eram guardados até sua exportação; a sala de cirurgia era equipada com instrumentos cirúrgicos de primeira qualidade e com a mesa de operação; e havia um cômodo equipado com uma fornalha elétrica onde funcionava uma espécie de crematório que Walace Lactor usava para se desfazer dos despojos humanos.


Aquela noite era muito especial para mim, pois, depois de muito tempo,e de muito trabalho duro, eu consegui fechar negócio, marcar um encontro, e ficar cara a cara com o meu algoz, sem que ele me reconhecesse.


A pontualidade é algo que eu sempre admirei e preservei. O encontro estava marcado para as dezenove horas; no entanto, eu cheguei ao local meia hora antes e Walace Lactor já me aguardava pacientemente:


-Boa noite. Senhor Walace Lactor?


- Sim – ele respondeu.


- Muito prazer! William Dickson, para servi-lo, senhor – disse eu, apertando-lhe a mão com firmeza e veemência.


O leitor não pode imaginar o sacrifício que fiz para conter, naquele momento, o júbilo de tirar meu estilete do bolso do meu sobretudo e fincá-lo com toda a força no seu olho esquerdo e matá-lo de uma vez ali mesmo. Mas me contive, porque seria fácil demais - ele não iria sofrer -, o que não era o que eu queria; além disso, o bar estava cheio e o local era bem movimentado.


Meu propósito era torturá-lo, matá-lo e escapar impune, por isso não poderia me descuidar, qualquer erro ali poderia ser fatal - ele poderia desconfiar e tudo iria por água abaixo. Então eu prossegui o diálogo:


-Desculpe-me não tirar o meu chapéu e os óculos escuros, senhor Lactor; mas é que, quando trato deste tipo de negócio em público, procuro ocultar o máximo a minha imagem, se o senhor não se importar...


- Não se preocupe, fique a vontade, senhor Dickson. Trouxe o material do qual me falou? - ele perguntou.


-Sim, claro Eu trouxe sim, senhor - respondi,depositando sobre a mesa um notebook com fotos de adolescentes arianos e “sarados”, e da suposta clínica em que eu trabalhava.


- Aí estão as fotos dos adolescentes e da minha clínica de que lhe falei. O local fica próximo da serra da Cantareira, um lugar bem seguro e discreto, que não desperta nada de suspeito. As minhas cobaias estão bem seguras também.


Após uma breve pausa, continuei:


- Como o senhor pode observar nas fotos, todos gozam de boa saúde e vitalidade e, com certeza, nós vamos faturar uma boa grana com os órgãos deles. Pode olhá-los à vontade, enquanto eu peço dois martínis bem secos para nós comemorarmos nossa sociedade; é sempre bom fechar negócio com pessoas inteligentes como o senhor – falei, acenando com a mão para o garçom.


- Dois martínis bem secos, por favor - eu pedi. - Particularmente, senhor Lactor, eu acho bem mais fácil seqüestrar ou atrair crianças e adolescentes com dinheiro ou falsas promessas do que com prostíbulos – disse eu, enquanto o garçom trazia as bebidas.


Walace Lactor olhava o material com minucioso interesse.


- Há quanto tempo o senhor está nesse negócio, senhor Dickson?


- Já faz algum tempo, senhor Lactor, e posso garantir ao senhor que é um ótimo negócio; o senhor não se arrependerá. Se a venda for internacional, dependendo do órgão e da necessidade do comprador, poderemos vendê-lo até por oito mil dólares..


-Certo. E quais garantias que o senhor me dá para eu saber que não estou entrando numa fria?


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About Victor Ramide

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3 Comentários:

  1. Bah...
    ...vingança incontrolável e insaciavel!
    Belo conto!!!

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  2. n consigo ler o restante do texto

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  3. O link da continuação está indisponivel =/

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